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🌸 Boletim polínico:Em Lisboa (região de Lisboa e Setúbal), a concentração de pólen na atmosfera encontra-se elevada, com destaque dos grãos de pólen das árvores oliveira, pinheiro, sobreiro e carvalhos e das ervas gramíneas, azeda, tanchagem, quenopódio, urtiga e urticáceas (inclui a parietária).

Reposição de magnésio em cenários de sudorese intensa: fundamentos fisiológicos e relevância médica

A realização de atividades desportivas ao ar livre expõe-nos de forma direta às condições ambientais. Esta situação influencia a termorregulação, condição da homeostase que representa a capacidade de um organismo manter a sua temperatura corporal dentro de certos limites em diferentes condições de ambiente.

A termorregulação é um mecanismo homeostático essencial que permite ao organismo manter a temperatura corporal interna dentro de limites, fisiologicamente seguros, mesmo sob condições ambientais adversas. Este processo é mediado por respostas autónomas e comportamentais, como a vasodilatação cutânea e a sudorese, sendo influenciado por fatores ambientais, fisiológicos e comportamentais.

Durante o exercício, em ambiente quente, a elevada produção metabólica de calor intensifica a sudorese, principal via de dissipação térmica, implicando perdas significativas de água e eletrólitos. A manutenção do equilíbrio hídrico torna-se, assim, crucial para preservar a perfusão cutânea e a eficácia da termorregulação. A hipohidratação — particularmente com perdas de massa corporal >2% —compromete a função cardiovascular, eleva a temperatura central e reduz a tolerância ao calor, aumentando o risco de patologias como exaustão térmica e golpe de calor.

Neste sentido, o magnésio desempenha um papel central na regulação da termogénese, na manutenção da função mitocondrial e na contratilidade muscular, contribuindo assim para os mecanismos autónomo de termorregulação e para a vasorregulação. Durante exposições prolongadas ao calor, a sudorese excessiva promove a perda significativa deste mineral, cuja deficiência pode comprometer a dissipação de calor e aumentar a suscetibilidade ao stresse térmico. Além disso, tal depleção pode afetar negativamente as funções neuromuscular, cardiovascular e imunológica. Em contexto de risco térmico, a reposição adequada de magnésio — idealmente através de águas minerais com teor superior a 50 mg/L — é essencial para a prevenção de disfunções fisiológicas, a manutenção da performance e a integridade  homeostática. Pela sua elevada solubilidade aquosa, o magnésio forma complexos iónicos que facilitam processos celulares fundamentais, como o transporte de nutrientes e a permeabilidade das membranas celulares.

O balanço do magnésio é regulado por um complexo mecanismo que envolve a ingestão, a absorção intestinal, a reabsorção e excreção renal, bem como a mobilização a partir de reservas tecidulares. Este mineral encontra-se intimamente interligado ao metabolismo de outros eletrólitos, nomeadamente sódio (Na⁺), potássio (K⁺) e cálcio (Ca²⁺), o que reforça a sua importância na manutenção do equilíbrio hidroeletrolítico. A excreção renal de magnésio é altamente dependente das concentrações plasmáticas, sendo reduzida em estados de carência e aumentada em situações de excesso. Esta regulação dinâmica permite, em condições normais, manter a homeostase do magnésio mesmo perante ingestões subóptimas.

Contudo, em contextos de risco térmico, como a prática de exercício físico em ambientes quentes, a sudorese intensa pode levar a perdas substanciais de eletrólitos, incluindo magnésio, comprometendo esse equilíbrio regulatório. Nestas situações, a ingestão adequada de água e fluídos torna-se fundamental para repor as perdas hidroeletrolíticas e preservar a estabilidade do meio interno, a composição corporal e as funções celulares. A água, além de promover a hidratação, constitui uma fonte natural de minerais — magnésio, sódio, potássio, cálcio, cloreto, bicarbonato e sulfato — e o seu perfil de mineralização pode ser adaptado a necessidades fisiológicas específicas, como a manutenção do sistema cardiovascular (magnésio, ferro) ou a regulação do sistema nervoso (sódio, potássio). Tendo em conta a evidência atual, foi descrito que a resistência muscular, a força muscular e o poder anaeróbico tendem a diminuir com a hipohidratação, e, como tal, recomendações e estratégias de ingestão de fluidos antes, durante e após o exercício deverão ser individualizadas para garantir o aporte de magnésio recomendado (homens: 400–420 mg; mulheres: 310–320 mg).

In: Faes Farma, artigos médicos, nutrição e metabolismo, julho 2025