Viver Melhor
Viajar com Doenças Crónicas
Para garantir segurança e evitar imprevistos, é fundamental preparar a viagem com antecedência. É necessário ter o relatório médico atualizado, os dispositivos necessários para o tratamento e todos os medicamentos indispensáveis.
Sabia que 25% das pessoas que têm doenças crónicas renunciam às suas férias longe de casa por medo de não serem atendidas adequadamente ou de terem inconvenientes com a sua medicação?
Sofrer de uma doença crónica não significa ter que renunciar a viajar, mas sim aprender a adaptar a experiência às necessidades de cada pessoa.
Conselhos para viajar de forma segura
A chave para uma viagem segura quando se sofre de uma doença crónica é o planeamento antecipado. Organizar cada detalhe com tempo não só minimiza os riscos, como garante que o viajante esteja o melhor preparado possível perante qualquer eventualidade.
Nesta etapa de preparação, há vários aspetos a considerar, que vão desde a consulta médica até à escolha do destino.
1. CONSULTA MÉDICA PRÉVIA
- Revisão do estado de saúde: uma revisão completa permitirá ao médico avaliar se a doença está bem controlada e se o doente se encontra em condições ótimas para viajar.
- Ajustes de medicação: em alguns casos, é necessário ajustar a medicação antes de viajar, especialmente se o destino implicar uma mudança de zona horária ou um ambiente que possa afetar a condição do doente (como um clima quente ou frio, ou um ambiente de maior altitude).
2. DOCUMENTAÇÃO MÉDICA, RECEITAS E MEDICAMENTOS
Um dos aspetos mais importantes da preparação é ter consigo toda a documentação médica necessária
para a viagem. Isto não só garante que possa aceder ao atendimento adequado em caso de emergência,
como também ajuda a evitar problemas na alfândega ou com as companhias aéreas ao transportar medicamentos.
- Relatório médico: é recomendável pedir um relatório médico atualizado que explique a sua condição de saúde e o tratamento que está a seguir. Este relatório deve estar escrito na língua do destino ou em inglês, especialmente se viajar para um país onde o idioma possa ser um obstáculo. Assim, em caso de emergência, os profissionais de saúde poderão compreender rapidamente a sua situação.
- Medicamentos: os doentes crónicos devem levar consigo a medicação necessária para todo o tempo da viagem, incluindo uma quantidade extra para eventuais imprevistos ou atrasos. A quantidade de medicamento deve cobrir todo o tempo da viagem e é prudente levar pelo menos 20 a 30% a mais do que o necessário. Isto é especialmente importante em viagens longas ou para destinos remotos, onde o acesso a farmácias pode ser limitado.
É importante que os medicamentos que necessitam de receita estejam guardados na bagagem de mão
com a respetiva etiqueta visível. O mesmo se aplica aos dados e especificações sobre o médico, diagnóstico e tratamento. Também é fundamental levar as receitas médicas de todos os medicamentos de que necessite durante a viagem. Alguns medicamentos, especialmente os controlados, podem ter restrições noutros países. As receitas ajudam a evitar problemas nas alfândegas ou ao passar pela segurança do aeroporto.
Especialmente ao viajares de avião, deve ter em conta certas indicações: Se a doença crónica requer
medicamentos de emergência, como insulina (para pessoas com diabetes) ou broncodilatadores
(para quem sofre de asma), deve levar uma quantidade extra na bagagem de mão. Estes medicamentos devem estar facilmente acessíveis caso sejam necessários a qualquer momento.
Para o transporte aéreo de certos medicamentos que requerem refrigeração, como acontece com a
maioria dos fármacos injetáveis, é recomendável embalar a medicação em bolsas isolantes e transportá-la numa geleira portátil entre pacotes de gel refrigerante para a manter a baixa temperatura. Se esses medicamentos implicarem o uso de seringas, é necessário levar um certificado médico sobre a
necessidade do uso desse material, para evitar que possa ser apreendido nas alfândegas. As medidas de segurança podem variar consoante o país e o aeroporto, por isso deve informar-se bem antes
de realizar a viagem.
3. DISPOSITIVOS MÉDICOS
Além dos medicamentos, as pessoas com doenças crónicas costumam necessitar de dispositivos médicos para controlar e gerir a sua condição durante a viagem.
Os medidores de glicose para medir o açúcar no sangue, os medidores de tensão arterial para controlar a tensão arterial e os inaladores para quem sofre de doenças respiratórias são exemplos comuns de dispositivos que devem ser transportados adequadamente.
4. SEGURO DE VIAGEM
Um seguro de viagem adequado é essencial para qualquer viajante, mas quando tem uma doença crónica, é ainda mais importante escolher uma apólice que cubra especificamente doenças pré-existentes.
5. INFORMAÇÃO SOBRE O SISTEMA DE SAÚDE E CENTROS DE SAÚDE
Convém que se informe sobre o sistema de saúde do local para onde vai viajar, para assegurar de que tipo de cobertura tem caso precise de recorrer a algum serviço de saúde ou de urgência durante a tua estadia.
Também deve saber onde se encontra o centro de saúde mais próximo, caso precise.
6. VACINAS E PRECAUÇÕES DE SAÚDE NO DESTINO SAÚDE
Leve em conta o destino e se é necessário vacinar ou tomar alguma precaução de saúde especial.
Pergunte sempre ao seu médico para assegurar de que são compatíveis com a sua patologia e medicação, ou se deve seguir algum tratamento especial durante a sua estadia.
Kit básico de primeiros socorros para férias
O kit de viagem deve conter material de primeiros socorros. Também deve conter medicamentos para: problemas digestivos (como laxantes, antiácidos e antidiarreicos); analgésicos e anti-inflamatórios (como ácido acetilsalicílico, paracetamol e ibuprofeno); antipiréticos para a febre; repelentes de insetos e produtos para aliviar picadas; além de pomada para queimaduras, incluindo as solares.
In: Revista do Instituto Profissional de Estudos da Saúde, agosto 2025.